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Sobre

Daniel Lobo

Daniel Lobo é o fundador do Estudante Engenheiro e editor do blog.

No filme Back to the Future: Part II, Marty McFly foi enviado 30 anos para o futuro, numa época em que existiam pranchas flutuantes, ténis que se atavam sozinhos e carros voadores.


O ano? Era 2015.


A frase "Where's my flying car?" (onde está o meu carro voador?), se tornou um meme para ridicularizar a crença de que carros voadores seriam a próxima (muito próxima) grande invenção, mas se revelou um fracasso. Mas, será mesmo um fracasso?


Nesse artigo exploraramos a história dos carros voadores e os avanços que nos fazem perguntar: será que o futuro finalmente chegou?

1. De onde surgiu a ideia dos carros voadores?

Primeiros registos históricos e conceptuais

Diz-se que os carros voadores surgiram no século 20, mas as primeiras tentativas de se criar um protótipo desse tipo de veículo datam de quase um século atrás — embora alguns argumentem que tais invenções não devem ser consideradas.


Em 1843, os inventores e engenheiros, William Samuel Henson e John Stringfellow, criaram o primeiro protótipo de um carro voador, o Ariel (The Henson Aerial Steam Carriage). Era movido a vapor e tinha dimensões desproporcionais, levando os inventores a trabalharem num modelo mais compacto.


No entanto, após semanas de trabalho não conseguiram fazer o carro voar. Devido a leveza da estrutura do veículo, cada impacto causava danos extremos que demoravam vários dias para reparar. Com tantas tentativas sem bons resultados e falta de financiamento, o projecto foi abandonado.


No início do século XX surgem nome como Gustave Whitehead, que alegadamente voou com uma aerovave, descrita como capaz de se deslocar pelas estradas; Constantinos Vlachos com o seu protótipo de veículo com asa circular, que ficou mais conhecido pelo acidente na sua demonstração (que o deixou gravemente ferido) do que pela sua invenção propriamente.


Alguns mais tarde, surge a Autogyro da Company of America com o AC-35, um protótipo adaptável para a estrada, que voou em 26 de março de 1936. Apesar de ter sido bem-sucedido nos testes, não chegou a ser produzido. Tanto em voo como em estrada, era propulsionado por um motor Studebaker (empresa muito conhecida pelos seus carros eléctricos). Podia voar a 180 km/h e circular em estrada a 90 km/h.


Nos meados do século 20 apareceram vários modelos como o icónico ConVairCar de Hall e Tommy Thompson, nenhum chegou a alcançar sucesso comercial e poucos que voaram são conhecidos pelo público.


O maior sucesso — pelo número de unidades fabricadas e por ainda existir um em funcionamento — é o Taylor Aerocar de 1949. Apesar de ser autorizado para a produção em massa pela autoridade americana de aviação civil, Taylor não conseguiu levar o carro voador à produção comercial. Foram construídos seis Aerocars.


2. Como essa ideia se tornou tão famosa?

A influência da ficção científica

Como disse o grande Oscar Wilde, muitas vezes a vida copia da arte — e no caso dos carros voadores, foi a ficção que tornou essa ideia cultura popular.


No caso de carros voadores, uma das primeiras obras a retratar essa invenção foi o desenho animado The Jetsons da década de 1960. Curiosamente, a animação nos apresenta a outras tecnologias que actualmente já são realidades como video-chamadas, robôs domésticos e relógios inteligentes.


Filmes trouxeram as suas ideias de como seriam os carros voadores no futuro. Em Blade Runner temos spinners, Back to the future (De volta ao futuro) temos DeLorean que são ícones da cultura popular, ajudaram a cristalizar no imaginário colectivo a ideia de que no futuro carros voadores seriam uma realidade.


3. Os últimos desenvolvimentos

A revolução dos eVTOLs (Electric Vertical Take-Off and Landing)

Um eVTOL é uma aeronave totalmente eléctrica que descola e aterra na vertical, ao contrário da maioria dos aviões comerciais atuais que precisam de uma pista. A sigla vem do inglês electric vertical take-off and landing, ou seja, aeronave eléctrica de descolagem e aterragem vertical.


Estes veículos também são conhecidos como táxis aéreos, pois a ideia é que, no futuro, sejam usados para transportar passageiros em curtas distâncias, levando-os ao destino em poucos minutos e evitando o trânsito rodoviário.


Apesar de se parecerem com helicópteros, os eVTOLs tendem a ser mais silenciosos e sustentáveis. No entanto, estas aeronaves ainda estão em fase de testes e avaliação, e ainda não têm certificação para operar nos céus. Mesmo assim, várias empresas líderes estão a desenvolver soluções que prometem transformar o futuro dos transportes.


Startups envolvidas

Com os avanços em propulsão eléctrica, inteligência artificial e design aerodinâmico, dezenas de empresas estão agora a competir para transformar o sonho em realidade. Entre as mais promissoras estão startups de eVTOL (aeronaves eléctricas de descolagem e aterragem vertical), que prometem revolucionar a mobilidade urbana e regional. Eis algumas das líderes nesta corrida aérea.


1. Joby Aviation (EUA)

Uma das empresas mais reconhecidas no mercado eVTOL, sediada na Califórnia. Desenvolveu o S4, uma aeronave 100% eléctrica, com capacidade para quatro passageiros e alcance até 240 km. Pode atingir 320 km/h e está a caminho da certificação da FAA (Federação Americana de Aviação). Conta com grandes investidores como a Toyota.


Aeronave S4 da Joby Aviation
Aeronave S4 da Joby Aviation

2. Archer Aviation (EUA)

Também com base na Califórnia, a Archer aposta no Archer Midnight, um eVTOL inovador da Archer Aviation, avaliado em 5 milhões de dólares. Com velocidade máxima de 241 km/h, transporta até 4 passageiros. Silencioso e com zero emissões, representa um salto em sustentabilidade no transporte aéreo. A previsão é que esteja pronto para voos comerciais em 2026.

Archer Midnight da Archer Aviation
Archer Midnight da Archer Aviation

3. Vertical Aerospace (Inglaterra)

Com sede em Bristol, Inglaterra, a Vertical Aerospace é uma empresa global de tecnologia aeroespacial que tem como missão descarbonizar o transporte aéreo. A sua principal aposta é o VX4, um eVTOL com zero emissões, capacidade para quatro passageiros e piloto, pensado para mobilidade aérea urbana e regional.

VX4 da Vertical Aerospace
VX4 da Vertical Aerospace

4. EHang (China)

A EHang, sediada na China, é uma das pioneiras no desenvolvimento de veículos aéreos autónomos (AAVs), destacando-se pelas suas soluções sem piloto. O seu modelo principal, o EHang 216, transporta dois passageiros e foi concebido para mobilidade urbana, turismo e entregas de carga.

EHang 216 da EHang
EHang 216 da EHang

Com voos de teste bem-sucedidos em mais de uma dezena de cidades pelo mundo, a empresa colabora activamente com reguladores para viabilizar os seus serviços comerciais. O foco total na autonomia coloca a EHang na vanguarda da próxima fase da mobilidade aérea elétrica.


Onde está meu carro voador?

Muitos especialistas do século 20 acreditavam que teríamos carros voadores logo na virada do século, anos 2000 pareciam promissores. Os avanços tecnológicos e científicos da época, como a internet e outras tecnologias desenvolvidas pós-guerrra, criavam esse optimismo quanto ao futuro. E estavam errados?


Completamente, não. É possível que veremos carros voadores nos próximos 10 anos a sobrevoarem, certamente, nas cidades mais desenvolvidas. Tanto como táxis privados ou transporte particular, mas somente dos super-ricos.


Carros voadores são caros de construir, nos últimos anos startups que entraram no mercado foram à falência.


O espírito humano sempre guiado pela curiosidade, pelo sonho do impossível, e mais importante, pela tenacidade de realizar o que outrora não passava de uma fantasia.


Henry Ford, em 1940, disse: "Marque minhas palavras, uma fusão entre carro e avião está a caminho. Você ri, mas vai acontecer".

Ninguém mais ri, porque já está a acontecer.


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Categoria

Tecnologia
1 de julho de 2025

Carros voadores: a maior promessa do século XXI está a acontecer?

Nesse artigo exploraramos a história dos carros voadores e os avanços que nos fazem perguntar: será que o futuro finalmente chegou?

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