Sobre
Daniel Lobo
Daniel Lobo é o fundador do Estudante Engenheiro e editor do blog.
No nosso primeiro episódio da rubrica Engenheiro da Semana, temos o prazer de apresentar Márcia Senduca, uma engenheira civil dedicada e inspiradora que partilhou connosco sua trajectória, desafios e valiosas lições.
Leia a entrevista e não se esqueça de partilhar. Boa leitura!
Sobre a Engenheira:
Pode nos contar um pouco sobre sua formação e como decidiu seguir carreira em engenharia?
Eu quis ser engenheira de petróleos por causa daquele amor que toda criança tem por engenharia de petróleos. Fui ao Makarenco (IMIL) e meu nome saiu na lista do curso de Construção Civil. Fiquei frustrada porque eu não sabia desenhar, não sabia nada sobre desenho técnico ou artístico, mas não tive outra opção a não ser aceitar e ser grata.
Na décima primeira classe, tive um professor maravilhoso de TCC e a partir dali meu amor pela área começou.
Quais foram os maiores desafios que enfrentou durante a universidade?
Fui para a universidade cheia de medo, medo de enfrentar a chama dentro de mim, de que eu podia fazer algo grandioso dentro da minha área de formação. Eu sabia que dentro de mim havia algo de diferente e sempre partilhava isso com um colega, que me incentivava a avançar nos meus projectos.
Fui uma estudante muito medrosa, não conseguia apresentar minhas dúvidas em sala de aula porque achava que eram básicas demais, até que o próprio professor lançava essas dúvidas e eu percebia que as minhas dúvidas não eram tão básicas. Inclusive, tinha perguntas que o professor fazia e eu sabia as respostas, mas por medo, eu não respondia.
Eu não sabia o que fazer com a energia que sentia dentro de mim, estava perdida, sem instrução.
Eu sabia que dentro de mim havia algo de diferente e sempre partilhava isso com um colega, que me incentivava a avançar nos meus projetos.
Carreira Profissional:
Como foi sua transição da universidade para o mercado de trabalho?
Graças a Deus, encontrei engenheiros seniores maravilhosos que eram muito abertos à instrução. Todas as lacunas que eu tinha por nunca ter lidado com situações de obra na prática e com o uso de certas tecnologias foram preenchidas. Não tenho do que reclamar.
Pode partilhar um projeto significativo que tenha trabalhado e seu impacto?
Eu gosto de actuar em áreas que poucos engenheiros actuam, mas que têm demandas. Assim sendo, eu noto que o povo angolano tem alguma limitação no contacto e exploração do que se encontra aqui no país. Então, os projectos que estou a desenvolver estão nessa vertente.
Graças a Deus, encontrei engenheiros seniores maravilhosos que eram muito abertos à instrução.
Dicas e Conselhos:
Que conselhos você daria para estudantes de engenharia que estão prestes a entrar no mercado de trabalho?
Para os estudantes de engenharia, meu conselho é que definam o que querem ser e fazer. Muitos estudantes universitários têm o pensamento de “vou terminar a universidade e enviar CV’s”. Obviamente, precisamos da experiência de trabalho, mas já devemos ter em mente o que queremos fazer: trabalhar como empregado ou ser empregador?
Eu sei que muitas universidades não oferecem especializações e acabamos por estudar muita coisa, mas devemos nos focar numa área para nossa vida profissional. Preciso criar um currículo que me dê a oportunidade de trabalhar numa área específica. Não podemos querer ser “faz tudo”, isso frustra muita gente.
Tudo bem se não dominar um software ou outro; se eu quiser trabalhar em drenagem, vou me focar nisso e me tornar a melhor, porque esse é o meu foco. Precisamos parar de tentar estudar “tudo” e focar numa só área, e está tudo bem.
Quais habilidades considera essenciais para um engenheiro bem-sucedido? Autonomia. A autonomia faz um engenheiro ser excelente, olhar para as situações ao redor e conseguir dar resposta a essas situações.
Não precisa esperar terminar a universidade e entrar no mercado de trabalho; pode começar agora com o nível de conhecimento que o futuro engenheiro tem e se perguntar o que pode servir de oferta para as demandas sociais, como ele pode dar resposta a situações/problemas no seu bairro, por exemplo. A autonomia nos torna grandes engenheiros.
E lembrem-se, engenheiro resolve.
Autonomia. A autonomia faz um engenheiro ser excelente, olhar para as situações ao redor e conseguir dar resposta a essas situações.
Gostaríamos de agradecer imensamente à Engª Márcia Senduca por partilhar sua jornada e sabedoria conosco. Acreditamos que suas palavras irão inspirar muitos a seguir em frente com confiança e determinação.
Até a próxima! E lembrem-se da citação reflexiva de nossa caríssima engenheira: engenheiro resolve!

Categoria
Carreira
21 de maio de 2024
Entrevista com a engenheira Márcia Senduca
Márcia Senduca, uma engenheira civil dedicada e inspiradora que partilhou connosco sua trajectória, desafios e valiosas lições.
