Sobre
Matias Domingos
Matias Domingos é estudante de engenharia electrotécnica no Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC), estagiou na SLB.
Estágio em Engenharia é uma rubrica do Estudante Engenheiro onde trazemos um olhar sobre as experiências de estudantes e recém-formados que estão a dar os seus primeiros passos no mercado de trabalho.
Se estás a preparar-te para o teu estágio ou à procura do primeiro emprego, esta rubrica é para ti.
Na primeira edição, trazemos Matias Domingos.
Como conseguiu a oportunidade de estágio e o que acha que fez diferença para seres selecionado?
Consegui a oportunidade de estágio logo após terminar o 12.º ano, de acordo com o curso que frequentei. Nesse processo, a própria instituição de ensino dirigiu uma carta formal à empresa, solicitando a realização do estágio curricular, conforme previsto no plano de formação.
Para os estudantes que procuram estágio de forma individual, é importante estarem atentos, sobretudo aos finais do ano, acompanhando os sites oficiais das empresas. É geralmente nessa altura que muitas instituições apresentam maior necessidade de estagiários ou fazem publicações desse género.
Importa ainda referir que, nos termos da lei, as instituições de ensino são obrigadas a garantir estágio a todos os estudantes em fase de conclusão da sua formação. No entanto, a forma como cada estudante encara essa oportunidade faz toda a diferença. A postura, o interesse demonstrado, a disciplina e a vontade real de aprender são factores que determinam a qualidade da experiência e o impacto que ela terá no futuro profissional.
Quais foram as principais tarefas e aprendizagens durante o estágio que mais contribuíram para o teu desenvolvimento profissional?
Durante o estágio tive contacto direto com o ambiente real de trabalho, especialmente nas áreas de manutenção, operações e logística. Participei na preparação e inspeção de ferramentas, organização de materiais, apoio técnico às equipas e no cumprimento rigoroso das normas de segurança.
A principal aprendizagem foi perceber que a teoria é apenas o ponto de partida. Na prática, o que realmente conta é a atenção ao detalhe, o respeito pelos procedimentos, o trabalho em equipa e o sentido de responsabilidade. Cada tarefa, por mais simples que parecesse, contribuía para a compreensão do funcionamento global da operação.
Que competências técnicas e comportamentais percebeste serem mais importantes no ambiente real de trabalho?
No ambiente real de trabalho percebi rapidamente que o conhecimento técnico, embora essencial, não é suficiente por si só. As competências comportamentais têm um peso significativo.
Disciplina, pontualidade, responsabilidade, capacidade de ouvir, aprender e respeitar a hierarquia fazem a diferença no dia a dia. Do ponto de vista técnico, a atenção à segurança, a compreensão dos procedimentos e a capacidade de adaptação a novos desafios são fundamentais para qualquer profissional de engenharia.
Que dificuldades enfrentaste no início do estágio e como conseguiste superá-las?
No início enfrentei dificuldades normais de adaptação. O ritmo de trabalho, a terminologia técnica e a exigência do ambiente profissional requereram um esforço adicional.
Essas dificuldades foram superadas através da observação atenta, da disponibilidade para aprender, do estudo contínuo fora do horário laboral e da manutenção de uma postura humilde e focada. Com o tempo, ganhei confiança, compreensão dos processos e maior autonomia nas tarefas que me eram atribuídas.
Foi difícil conciliar estágio e estudos? Que conselhos darias a estudantes que enfrentam a mesma situação?
Sim, foi um dos maiores desafios do meu percurso. Eu estava no primeiro ano do ensino superior quando me candidatei à universidade enquanto ainda concluía o estágio.
Para conseguir conciliar ambas as responsabilidades, foi necessário dirigir uma carta formal à instituição de ensino, solicitando autorização para frequentar a universidade de forma periódica, uma vez que me encontrava na fase final do estágio e comprometido em concluí-lo com responsabilidade.
Essa decisão exigiu organização, maturidade e diálogo institucional. O esforço valeu a pena. Consegui terminar o estágio com total dedicação, encerrando esse ciclo de forma muito positiva. Como reconhecimento, além do certificado de término, fui agraciado com uma carta de recomendação, resultado do desempenho, da disciplina e do compromisso demonstrados ao longo do processo.
Consideras que saber línguas estrangeiras, especialmente o inglês, é importante tanto para ser selecionado para um estágio quanto para desempenhar bem o trabalho?
Sem dúvida. O domínio do inglês revelou-se determinante, tanto no processo de seleção como no desempenho das actividades diárias. Muitos termos técnicos, manuais e comunicações são realizados nessa língua.
Actualmente, considero o inglês uma ferramenta indispensável para qualquer estudante de engenharia que ambicione crescimento profissional e acesso a oportunidades mais amplas.
Qual é o melhor momento para se fazer um estágio: no final do ensino médio, no início do ensino superior, durante ou no final do curso?
Na minha perspectiva, o melhor momento para realizar um estágio é durante o ensino superior ou próximo do final do curso. Nessa fase, o estudante já possui uma base teórica mais consistente e consegue tirar maior proveito da experiência prática, estabelecendo uma ligação clara entre teoria e realidade profissional.
Onde vês que os outros estudantes cometem erro ao procurar por oportunidades?
Um dos erros mais frequentes é aguardar oportunidades sem a devida preparação. Muitos estudantes não investem na construção do currículo, não desenvolvem competências complementares e subestimam a importância da postura profissional.
Outro equívoco comum é não compreender que o estágio deve ser encarado como um processo de aprendizagem e crescimento, e não apenas como uma exigência académica.
Que conselhos darias a estudantes que querem conseguir estágio e entrar no mercado de trabalho?
A principal orientação que deixo é a de manterem consistência e compromisso com o próprio desenvolvimento. Investir em conhecimento, fortalecer competências técnicas e comportamentais, aprender inglês e estar disposto a começar de forma humilde são aspectos fundamentais.
O estágio não representa um ponto final, mas sim o início de um percurso profissional. Quando vivido com seriedade e dedicação, torna-se uma base sólida para o futuro.
Dica extra para estudantes que estão a iniciar o seu percurso
Para além de tudo o que foi partilhado, deixo uma última nota: valorizem a forma como se comportam quando ninguém está a avaliar directamente. A pontualidade, o cuidado com tarefas simples, o respeito pelas pessoas e a vontade de aprender falam mais alto do que qualquer currículo.
Da mesma forma, saibam construir boas relações profissionais. O networking não se resume a pedir oportunidades, mas sim a criar ligações baseadas no respeito, na colaboração e na boa reputação. Muitas portas abrem-se através das pessoas que confiam no nosso trabalho e na nossa postura.
No estágio, as oportunidades surgem não apenas pelo que sabemos, mas também pela confiança que transmitimos. E essa confiança constrói-se todos os dias, nos detalhes.
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Categoria
Estágio
23 de fevereiro de 2026
Estágio em engenharia: Matias Domingos
Estágio em Engenharia é uma rubrica do Estudante Engenheiro onde trazemos um olhar sobre as experiências de estudantes e recém-formados que estão a dar os seus primeiros passos no mercado de trabalho.
